24 julho 2007

Visita de Estudo: Cerâmica A.E.L - Fabricação de Telhas e Ladrilhos Regionais, Lda.

Por Aquiles Marreiros (Formador)



Inserida no Módulo - Algarve, Produtos e Ofícios, Tradição e Inovação, realizou-se no passado dia 16 de Julho uma visita de estudo à Cerâmica A.E.L Fabricação de Telhas e Ladrilhos Regionais, Lda sita em Fonte do Bispo, Santa Catarina no Concelho de Tavira.



Os registos de exploração e produção de ladrilhos, telhas e tijolos nas imediações de Santa Catarina remontam ao início do século XX, fruto das condições naturais, geológicas e climáticas observadas neste troço do Barrocal Algarvio. Desde então pouco mudou no processo produtivo, sendo ainda uma actividade com grandes exigências em termos de mão-de-obra. Todas as fases de produção requerem um trabalho e dedicação intensivos, registando-se factores de inovação, apenas nalgumas tarefas, com a introdução de maquinaria que permitiu minimizar o processo produtivo. Juntamente com os lagares, as cerâmicas marcaram o crescimento de Santa Catarina, tornando-a numa das mais dinâmicas e bem sucedidas povoações do interior da região, até meados do século passado.


A Cerâmica A.E.L completou em 2007, 11 anos de actividade. A constituição desta empresa resultou da vontade, espírito empreendedor e visão estratégica de três jovens, com idades compreendidas entre os 21 e 27 anos que quiseram avançar com um negócio próprio, fomentado também pelas oportunidades de financiamento geradas no seio da região na década de 90, nomeadamente o Programa RIME, do qual beneficiaram. A opção por esta área de negócio não foi aleatória, uma vez que existia tradição familiar, saber e experiência de trabalho acumulada desde a infância.


Os três sócios da A.E.L ocupam igualmente três dos seis postos de trabalho da empresa. A visita de estudo foi conduzida por dois dos sócios, nomeadamente o senhor Luís Rainha e o senhor Edgar Jesus, que nos guiaram por todo o processo produtivo do internacionalmente reconhecido ladrilho de Santa Catarina, desde os barreiros até ao produto final, pronto a ser transportado e distribuído pela região, pelo país e exportado para outros países europeus, nomeadamente, Inglaterra, França e Holanda. Com apenas seis trabalhadores e com técnicas artesanais ancestrais, a produtividade diária pode superar as 2500 peças.


Até há poucos anos seriam quase trinta cerâmicas a laborar no eixo São Brás de Alportel - Tavira, hoje em dia subsistem cerca de doze. A forte concorrência das cerâmicas do Norte do País e da vizinha Espanha que copiaram os produtos regionais e os baptizaram “de Santa Catarina”, motivou o encerramento das restantes, que dificilmente conseguiam competir com técnicas de produção mecanizadas e com preços de mercado mais baixos.

Para a manutenção destas explorações com uma produção tradicional, privilegia-se a excelência dos produtos, que outrora com fins menos nobres, empregues em espaços exteriores e de utilização secundária, acabou por ganhar importância e conquistar um lugar destacado no mercado e na procura do sector da construção civil, nomeadamente com a utilização em espaços interiores e na recuperação de edifícios, aliados a soluções arquitectónicas mais inovadoras e arrojadas.



A promoção do desenvolvimento das áreas de baixa densidade do Algarve passa seguramente pelo fortalecimento e crescimento das actividades de cariz tradicional, que fortemente enraizadas, consigam afirmar-se com produtos altamente qualificados, sustentados, que favoreçam o desenvolvimento local e fomentem o dinamismo empresarial.












1 comentário:

madeinalgarve disse...

Foi interessante perceber que os métodos aplicados, mesmo arcaicos, se enquadram nas necessidades actuais de produção, segundo os responsáveis da empresa.